Universidade Federal de Minas Gerais – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

Comunicação Social (Jornalismo/Relações Públicas)

Comunicação, Cultura Urbana e Cultura Contemporânea

A experiência de apreensão do espaço urbano de Lagoa Santa – MG

Aluno: Filipe Waldemir Batista Staino

Professora: Carolina Abreu Albuquerque

1. Visitando Lagoa Santa

A minha visita ao município de Lagoa Santa começou por volta das 10h30min do dia 07 de abril de 2012. Para realizar esse pequeno “passeio” o meu ponto de partida foi à região de Venda Nova, localizada na zona norte de Belo Horizonte. Devido a sua localização geográfica, talvez essa seja a área de “beagá” mais próxima da cidade selecionada para ser o objeto de estudo deste fichamento.

Saindo do centro comercial de Venda Nova seguimos pela Rua Padre Pedro Pinto até a rodovia MG-10, a mesma estrada que dá acesso ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, localizado na cidade de Confins. Seguimos por essa importante via até o centro de Lagoa Santa. No caminho feito até a cidade é possível perceber como a capital mineira cresceu em direção ao vetor norte da cidade.

O principal símbolo deste crescimento é a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves que foi erguida as margens da rodovia que nos leva até Lagoa Santa. Quem não tem muita “intimidade” com essa área da cidade talvez não consiga descrever as mudanças provocadas por esse crescimento. Mas, o fato é que o ritmo do lugar mudou, está mais agitado, movimentado, vibrante.

O caminho que nos leva até Lagoa Santa é cheio de peculiaridades, em determinados momentos ele se apresenta urbano, cercado de bairros, comércios, empresas de diversos tipos, etc. Em outros ele se torna mais “pacato”, assemelhando-se com algumas regiões interioranas do país. Ou seja, fica muito parecido com o “caminho da roça”.

Após uns 30 minutos trafegando pela rodovia MG-010 e, passando por outras cidades (Santa Luzia e Vespasiano), chega-se na entrada principal de Lagoa Santa. Ao entrar na cidade pela primeira vez, a impressão que tive foi a de estar chegando naquelas “cidadezinhas” que estão localizadas bem no interior do país, longe de grandes centros urbanos, como, Belo Horizonte. Porém, essa “impressão” é imediatamente derrubada, isso porque, a cidade começa a se mostrar a partir de alguns metros.

Antes de se chegar ao centro de Lagoa Santa é possível encontrar uma cidade agitada de certa forma. Com amplo comércio que conta com lojas famosas e até consideradas “modernas” para uma cidade de pequeno porte, o lugar surpreende quem chega pela primeira vez. Isso porque, temos a sensação de que vamos encontrar ruas completamente tranquilas, com trânsito de carroças e outros veículos típicos de lugares interioranos.

O centro mescla características de modernidade com a vida tranquila, típica de lugares do interior. Circulando por algumas ruas da cidade, podemos perceber o encontro daquilo que é moderno com o que faz parte do passado. Seja através da arquitetura local, do comércio praticado e até através do comportamento de algumas pessoas.

As ruas centrais da cidade possuem praticamente as mesmas características que podem ser associadas a qualquer centro urbano. Isso é, encontramos estabelecimentos comerciais que tem por objetivo abastecer a região com produtos básicos, ambulantes de todos os tipos, pessoas que estão apenas de passagem e outras que estão ali “apreciando” p movimento, etc.

Nas duas praças que consegui visitar, é possível encontrar particularidades típicas de cidades do interior, como, pessoas sentadas conversando numa tranquilidade (que seria invejável para muitos que vivem em uma rotina extremamente conturbada em grandes capitais) e a famosa “feirinha” onde se encontra diversos produtos feitos pelos próprios moradores. Além disso, nota-se que o município incorpora cada vez mais traços de um urbanismo típico da capital, isso porque, é possível encontrar diversas construções modernas que se assemelham aos shoppings centers. Nestes locais nota-se a presença de lojas que vendem produtos com a cara de cidade grande. O maior exemplo de disso são as lojas de roupas e acessórios que parecem ter saído das áreas mais nobres de Belo Horizonte.

Portanto, diante daquilo que observei ao andar pelas ruas de Lagoa Santa posso dizer que a cidade mescla características de “interior pacato” com o de uma cidade que começa a se tornar mais urbana. Esta característica pode estar relacionada com a proximidade que o município tem com Belo Horizonte e, porque ele também acabou se tornando opção para aqueles que querem morar longe da agitação da capital. Dessa forma, a cidade acaba incorporando algumas características da vida urbana para suprir a necessidade das pessoas que buscam o sossego do interior.

2. A experiência de apreender o espaço urbano

Ao visitar Lagoa Santa é possível associar as diversas discussões feitas em sala de aula com aquilo que se observa ao andar pelas ruas cidade. Diante disso, o primeiro aspecto que posso citar está relacionado com o conceito de “bairros urbanos”.

A maioria das pessoas passa boa parte da sua vida vivendo em uma determinada cidade. O fato de morar em lugar por mais de 20, 30 anos não garante que você possa conhecer a sua cidade por inteiro.  Ou seja, sempre vai existir alguma área na qual o indivíduo nunca tenha ido. O exercício de circular por um local desconhecido faz com que você busque informações a todo o momento sobre este lugar. Perceber que você saiu de sua “zona de conforto”, de uma área conhecida, faz com que o sujeito crie em sua mente fronteiras, delimitações que designam o conceito de bairro.

O segundo aspecto relacionado com a experiência vivida em Lagoa Santa refere-se às formas de espetacularização da cidade criticadas pelos situacionistas. Apesar de ser uma cidade com moldes de interior é claramente visível as mudanças pelas quais o município obervado está passando. Ao caminhar pelo centro de Lagoa Santa é possível encontrar construções antigas, que remontam a um passado não muito distante, como também edificações modernas, com amplas áreas envidraçadas, calçadas bem projetadas, acessibilidade para deficientes, jardins com projeto irreverente, etc.

A partir do que foi observado posso dizer que Lagoa Santa se enquadra no contexto das cidades genéricas, isso é, locais que aos poucos estão apagando o passado para ceder espaço para os aspectos modernos, contemporâneos. No lugar das famosas “vendas de secos e molhados”, por exemplo, podem-se encontrar lojas de departamentos, hipermercados, pequenos shoppings, entre outros.

No texto “Dispositivos de memória e narrativas do espaço urbano”, os autores relatam que o uso do espaço urbano está vinculado aos ritmos da vida. Em relação a este aspecto, pode-se dizer que Lagoa Santa se moderniza aos poucos a fim de abarcar as necessidades do cotidiano que ali vive.

Mesmo sendo uma “cidadezinha” com aspectos interioranos o município palco da observação está inserido em um contexto urbano. Lagoa Santa faz parte da região metropolitana de Belo Horizonte, além disso, o lugar tem sido destino de muitas pessoas que buscam certo afastamento da confusão vivida dentro da capital do estado. Fato que pode ser comprovado observando os inúmeros empreendimentos imobiliários que surgiram nos últimos anos.

Conforme já foi discutido em sala, a cidade é permanentemente construída por seus habitantes. A cidade se constitui como um objeto social e os diversos ritmos de vida que a compõem acabam por qualificar o uso do seu espaço urbano. Seja qual for à cidade visitada/observada ela sempre estará em constante movimento. Mesmo que possamos encontrar resquícios do passado, a cidade será sempre reinventada a fim de atender as necessidades que surgem a todo o momento.

3. Registros da observação

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