A cidade construída na sociabilidade, nas mensagens e sentidos

TEXTO: SILVA, Regina Helena Alves da. “Cartografias Urbanas: lugares, espaços e fluxos comunicativos”. In: IV ENECULT Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, 2008, Salvador.

A partir das questões suscitadas pelo projeto de pesquisa Cartografias Urbanas, o texto da prof. Regina Helena Silva tece uma discussão acerca do que ela denomina “comunicação urbana”. Seu objeto e espaço de estudo foi o Hipercentro de Belo Horizonte, reconhecido pelos pesquisadores como expressão máxima da heterogeneidade que marca a cidade de Belo Horizonte. Se apropriando da metodologia de derivas, uma equipe multidisciplinar percorreu o Hipercentro afim de captar os usos, sentidos e mensagens impressos pelas pessoas neste espaço. “Uma cidade onde a diversidade cultural e as diferenças sócio-econômicas são comunicadas e tensionadas em uma profusão de mensagens” foi o que estes pesquisadores encontraram em suas derivas pelo Centro. E quais seriam essas mensagens?

“Elas podem ser expressões de grande mídia, como a publicidade nos outdoors, nas paredes dos prédios, nos pontos de ônibus, nas páginas dos jornais, nos painéis eletrônicos, ou apropriações de todos estes elementos. Podem constituir ainda fenômenos comunicativos diversos, como as pichações nos muros, uma conversa com o engraxate de sapato, um rabisco dentro do ônibus, uma intervenção artística, uma manifestação política, uma feira, um ponto de encontro, uma festa popular, uma comunidade virtual, etc”.

A partir desse conceito, a cidade é entendida não somente como um conjunto de elementos físicos e topográficos, mas como espaço que se constitui a partir dos diálogos, encontros, apropriações e usos realizados por todos (e quaisquer tipos) de atores sociais que nela atuam ou atuaram. Os espaços físicos e funcionais do “urbano” seriam, assim, atravessados por relações de comunicação e também redefinidos por elas.

Esta redefinição (ou ressignificação), segundo a autora, se dá à medida em que as pessoas imprimem “sentidos” no espaço público, ou seja, o usam como espaço de sociabilidade, de encontro, convívio social e fruição, e não apenas para circulação e passagem. E quanto mais ampla for a diversidade cultural e sócio econômica expressa nesses sentidos, maior a profusão e diversidade de mensagens. Sob esta ótica, a cidade é “convertida” em “texto”, plural e polifônico. Dessa forma, o enfrentamento e fruição do cotidiano e da própria cidade perpassa pela leitura desse texto que é a cidade, uma vez que os modos possíveis de ver e entendê-la conformam modos de habitá-la e freqüenta-la.

Entender a cidade como detentora de “múltiplas espacialidades e temporalidades”, sem dúvida, enriquece nossa percepção, olhar e convívio com ela. Este novo modelo de fruição do espaço oferece inúmeras novas possibilidades de apropriação, intervenção e uso de um espaço em que até então apenas passávamos por. Indo além, os olhares e percepções dos profissionais responsáveis por comunicar e criar se tornam mais sensíveis, como também sua ação e atuação sobre espaço mais responsável, consciente e coerente com o mesmo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: